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A construção das nossas cidades e espaços de lazer consome, necessariamente, território e recursos naturais, alterando, conseqüentemente, a paisagem. Ocorre que a maioria das ações de urbanização, especialmente aquelas relacionadas ao lazer e ao turismo, destroem a paisagem ao se estabelecerem em espaços de grande valor ambiental e suscetíveis ao dano causado pela ação humana. Em outras palavras, a maioria dos empreendimentos solicitam à sociedade (por meio dos Órgãos da Administração Pública) autorizações e licenças para destruir. Em contraposição a esta situação, deve existir, hoje, uma mudança fundamental na mentalidade das pessoas responsáveis pelo planejamento, ordenação do território e construção das nossas cidades e locais de lazer, com o fim de que as estratégias delineadas respeitem os recursos naturais existentes, não somente evitando ações em áreas de riqueza ambiental, mas também assumindo o desafio de recuperar aqueles espaços, que por uma razão ou outra, se encontrem degradados. Em respeito a estes princípios é que escolhemos a área localizada na Baía de Tijucas, ao norte da planície que une a península de Governador Celso Ramos com o continente, na denominada Macrozona do Jordão, posto que se trata de uma área desprovida de grandes valores ambientais e há muito tempo antropisada (o cultivo de cana-de-açúcar e arroz data do início do século 20, sendo que atualmente é uma área de pasto) e que se encontra bastante degrada (rios assoreados, desprovidos de mata ciliar; cobertura vegetal - mata atlântica - quase que totalmente suprimida). O objetivo em escolher esta área foi possibilitar a recuperação e a conservação dos valores ambientais existentes, assemelhando-a ao seu entorno, tanto em termos de sua plataforma continental, como a sua linha costeira. Em outras palavras, estamos solicitando licenças e autorizações para construir, recuperar e conservar.
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